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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Veja.

Eu, sozinha e perdida aqui, diante de você. Aprisionada nesse corpo, como a mesma criança de antes, que não sabia como olhar pra cima por medo do céu desabar sobre a cabeça. Aprendi desde cedo que se ignora o medo, você quase se esquece dele. Quase. Porque, agora diante de você, todo o medo voltou, me puxando pelos pés, afundando meu corpo, asfixiando e destruindo qualquer tentativa de subir a borda. Eu queria fazer qualquer coisa que mudasse isso ou que fizesse ser diferente, mas algumas vezes, é preferível deixar sangrar de uma só vez a ferida para que a dor passe logo e cicatrize mais rápido. Porque na hora que tudo explode, não há nada no mundo capaz de estancar o corte da alma. E aqui estamos nesse ponto, onde você utiliza suas lanças de palavras e acerta o alvo: eu. Não desvio, não recuo, não falo.  Apenas abro os braços pra você, me oferecendo como encontro de cada frase excruciante que pronuncia e direciona a mim. Sinto meu corpo inflar diante de todos os socos e pontapés que você me dá, atingindo em cheio meu âmago. Nas veias, eu sinto explodir todos os sentimentos que em mim persistem, mas que se aquietam diante da minha covardia em demonstrar.  Na minha garganta, arde toda a intensidade das palavras que deveriam ter saído pelos meus lábios, mas que não foram ditas por amor a você. E essas mesmas palavras, agora me corroem, sufocam. Deveria ter lhe dito tanta coisa, tanta coisa que era importante pra mim, que era relevante pra você. E naquele momento, eu não disse nada. E nunca diria, mesmo estando na sua frente. Preferia me ausentar, me esvaziar inteira, preenchendo todo o espaço com o barulho que o meu silêncio fazia.  Nos meus olhos, se encontravam todas as portas para as inúmeras feridas da minha alma. Contudo, foi nesse momento que os fechei para que você não enxergasse o que em mim é doloroso. Guardava em mim um único desejo, uma vontade eterna de que eles nunca mais abrissem. Só assim, você não veria o que corrói. E não viu.