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sábado, 30 de outubro de 2010

Recomeçar. Começar.


Tá na hora.

Não dava mais pra sustentar uma situação dessas. Tem momentos em que é preciso tirar a lama do sapato, limpar de novo, e começar uma nova caminhada, por um novo caminho. Se vai ser melhor ou pior, não é questão, pra que se preocupar agora? Deixa o tempo vir, deixa tudo acontecer. Aquela covardia de andar, aquele medo, aquela comodidade de ficar parada e esperar as coisas acontecerem não vai existir mais. Não em mim. É preciso se permitir, dar nova chance para começos e recomeços, parar de carregar a culpa e qualquer remorso pendente. Isso faz mal à alma, ao corpo!

É preciso se libertar sabe? É um processo interno, e não externo. É dentro, e não fora. É preciso, e digo mais, necessário. E nem sempre o necessário é fácil... Na maioria das vezes, é o mais difícil a se fazer. Porém, é preciso brilhar de novo, e guardar lembranças boas, todas essas, aquelas, e as infinitas que estão por vir.

De mais a mais, é semear novamente, regar para que cresça e florir inteira.

Se transformar num lírio de novo. Vivo, dessa vez. E que exale o perfume ao qual se tinha esquecido o cheiro...

É se precisar e se ter. Buscar e alcançar, mesmo que os caminhos sejam tortuosos manter essa luz linda do dia, e se abençoar na noite.

É estar completa, mesmo estando só.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma dose de mentiras, por favor.


Pelo que imaginava, era fevereiro. Ou abril. Ou agosto. Ou outubro. Não importava agora. Houve um tempo em que o próprio tempo era importante, agora, agora nada era assim mais. Nada era importante. Deixou de contar depois de tudo. E assim, passavam-se os dias, vinham meses, e ele, continuava. Não sabia bem o porquê de continuar. Na verdade, ele só respirava. Continuar é algo maior, mais forte. E força ele deixou de ter. Deixou de lutar por falta de motivos, cansaço mesmo sabe? Depois do que aconteceu...

Acordava cedo, ia pro trabalho, colocava uma máscara pra aguentar o dia, fingia estar feliz em um ambiente cheio de sujeira, ia pro almoço, chegava em casa, fumava um cigarro barato, uma vodca qualquer, que fizesse um estrago ou melhor, tirasse da lucidez, daquela mansa lucidez de quem já não tem nada e doía. De quem perdeu tudo, e tinha a culpa nas mãos. Era a única coisa que ficara.

Estava saturado, entende? Porque chegava um dia que não dava mais. Continuava com aqueles pesadelos com ela, lembrando daqueles... Olhos. Os olhos dela ainda o puxavam pra dentro, ainda eram vivos nele, aquele mar escuro - fundo e extremamente assustador. Eram como dois inimigos, mesmo sem armas, que o sufocavam e muito pior que qualquer outro inimigo imaginável. O pior da perda é saber que nunca mais terá. O pior é saber... Como se perdeu, e ele sabia. Culpado, chorava, admitia, implorava, soluçava. Ele sabia.

Ele a tinha enlouquecido com suas palavras tolas, quando pra ela era um tudo, ela boba, idiota, apaixonada, acreditou, pobrezinha. Acreditou nas imensas declarações que ele fazia, nas flores que ele mandava, nos chocolates que ele lhe dava. Ela, coitadinha, não sabia que as declarações eram falsas, que as flores estavam murchas e os chocolates eram completamente amargos. Nada além. E ela, logo ela que preferia o meio-amargo...

Um dia, aquele dia, em fevereiro, abril, agosto ou outubro, ela descobriu todas as mentiras. Ela ficou desorientada, se quebrou inteira, não conseguia entender. E no momento em que pra ela, todas as verdades viraram mentiras, pra ele, as mentiras se tornaram verdades. Tarde. Havia uma hora, tarde demais ele chegou ao apartamento dela. Ela simplesmente se apagou. E ele, completamente perdido, desvairado, quebrado viu o que tinha feito. Tarde demais... O tempo, maldito tempo. Ela não esperou, ela se machucou. E o pior das dores ele tinha causado. Ele lembrava agora. Depois de tudo, lembrava e só. Completamente... só.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

De...

e vem, e me tomas sem pedir ou avisar e me invades e te tornas o que sou.
E sem conseguir pensar em mais nada, deito-me, e na cama fria e vazia, consigo te ver aqui.
Eu te sinto aqui, e de repente, o que estava solitário em mim consegue se completar.
Parece mágica, e eu vejo faíscas desse fogo que está nascendo, e pronto para nos consumir. De novo.
Fecho os olhos, e então...

Meu Deus, como pertencer tanto a alguém quando não se pertence inteiramente nem a si mesmo?
Nunca vou conseguir entender isso que todo mundo chama de...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sem luz.


E de repente tudo fica escuro.

Vem aquela coisa que sufoca o peito, que machuca... Sabe?

Fere, corta. É difícil dar adeus a quem se ama. E mais difícil é fingir, pra você e pra outros, que está tudo bem. Não está bem. Não vai ficar bem. Pare com essa ilusão de que “tudo vai passar”. Não vai. Você sabe disso, e eu sei também.

Sempre tive medo dessa coisa que chamam de amor. Aprendi a fugir de tudo, e de todos, porque era o que eu fazia de melhor... E era a minha forma de proteção.

E eu fugi tanto, de você, de nós, e no caminho que seguíamos, eu corria pra longe de tudo que me tocava na alma. Porque eu tinha medo. É, covardia mesmo, eu sei...

E nesse caminho, nessa fuga, me perdi e te perdi.

E você, que era quem clareava o meu trajeto, desistiu de tentar iluminar. Fica escuro. Eu não lhe culpo, sabes?

Só que eu tenho tanto medo do escuro... E é triste, entende?

Porque a luz se apagou. A nossa luz.

Quando se perde algo que era teu, dói mais do que nunca ter tido. E esse é o problema. Te tive, e por instantes, me completei, e ficava tudo bem.

E agora, fica esse vazio. Grande vazio.

E fica tudo escuro...Tão escuro. E dói.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fadas e anjos.

De fato é difícil.

Ninguém, que eu me lembre, disse que seria fácil.

Bons tempos em que boba, completamente boba, acreditava e acreditava. Pensava que as coisas seriam mais doces, fáceis. Eram anjos. Eram fadas. Existiam e eram lindos. Todos eles, cada um deles, de uma forma tão reluzente. Porém, nunca nada além. Um mundo mais simples, talvez. Mas depois de um tempo, começa-se a enxergar com clareza. E pude ver, porém, que tudo é monocromático, e os anjos e fadas estão mortos talvez. Ou nunca existiram.

Ninguém, exatamente ninguém na realidade se importa. Com o perdão da palavra, todo mundo está pouco se fodendo. Eles simplesmente se esquecem, sabe? Esquecem o quanto dói não saber que o outro ainda se importa. Droga. Droga deles, droga de todos.

E eu não me entendo, aliás, não entendo como consigo ainda me importar... Com eles. Com todos eles. Fadas e anjos.

Tudo simplesmente acontece, sem você ver, sem sequer agir, acontece. E você não pode controlar nada, não dá pra fazer nada pra impedir o fim.

Despedir-se de algo que se é acostumado a ter é pior do que nunca ter tido. E de fato, despedir é doloroso. Culmina na carne, lacera o peito, fatiga os pés, machuca a alma. Claro, eu sei, sempre corto na raiz o que começa a crescer, assumo a culpa e a consequência. Só que... Talvez algo semelhante a um receio freqüente e irreal saiba dominar o meu peito, e controlar meus atos agora. E dessa vez, o receio está maior. Dessa vez o receio é maior.

E dessa vez, ele está querendo se tornar real. E está conseguindo.

E o pior, sem fadas. E sem anjos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pobres, tolos.


E sim meu amigo, é quando você menos espera que vem. Na hora que você sorri, na hora que você simplesmente sorri, é a hora que vem. Chega e você, meio anestesiado, nem percebe, porque de tão compenetrado, por um instante, aquele maldito instante, se esqueceu. Esqueceu não porque tem que esquecer, não como a obrigação a qual se propõe todos os dias quando acorda, mas esquece porque naquele exato momento o tempo veio e desviou, roubou sua atenção de uma forma linda. De tão linda, dói. Mas volta, volta sempre, e quando volta, vem pior. Aquele sentimento que você sempre carrega em um peito lacerado, aquela falta de paz que te transcende, a fúria que te domina. Se avisasse, sabe? Se simplesmente avisasse que depois viria assim... Não, não avisa, vem, e atormenta, atormenta tanto.

É uma mistura de ignorância com raiva e nojo, e amor. Amor sim. Porque sentimentos bons, ás vezes, misturam-se aos ruins. Porque pessoas boas ás vezes se misturam as ruins. Porque nessa mistura, se unem e depois se quebram. Se machucam e depois se partem. Partem-se em pedaços únicos, que não se encaixam mais, um-no-outro. E nessa partilha, seguem em frente, procuram, começam a ter outro sentimento qualquer que se assemelha à espera e esperança, de se doarem novamente, cada pedaço quebrado, E, que alguém, com seu pedaço, venha somar-se com o outro que já existe aqui, formando um só pedaço dessa coisa que tem, precisa, tem sede por ser inteira. Única. Uma só mistura.

Tolos, tolos somos nós, pobres pedaços.