segunda-feira, 22 de julho de 2013

Veja.

Eu, sozinha e perdida aqui, diante de você. Aprisionada nesse corpo, como a mesma criança de antes, que não sabia como olhar pra cima por medo do céu desabar sobre a cabeça. Aprendi desde cedo que se ignora o medo, você quase se esquece dele. Quase. Porque, agora diante de você, todo o medo voltou, me puxando pelos pés, afundando meu corpo, asfixiando e destruindo qualquer tentativa de subir a borda. Eu queria fazer qualquer coisa que mudasse isso ou que fizesse ser diferente, mas algumas vezes, é preferível deixar sangrar de uma só vez a ferida para que a dor passe logo e cicatrize mais rápido. Porque na hora que tudo explode, não há nada no mundo capaz de estancar o corte da alma. E aqui estamos nesse ponto, onde você utiliza suas lanças de palavras e acerta o alvo: eu. Não desvio, não recuo, não falo.  Apenas abro os braços pra você, me oferecendo como encontro de cada frase excruciante que pronuncia e direciona a mim. Sinto meu corpo inflar diante de todos os socos e pontapés que você me dá, atingindo em cheio meu âmago. Nas veias, eu sinto explodir todos os sentimentos que em mim persistem, mas que se aquietam diante da minha covardia em demonstrar.  Na minha garganta, arde toda a intensidade das palavras que deveriam ter saído pelos meus lábios, mas que não foram ditas por amor a você. E essas mesmas palavras, agora me corroem, sufocam. Deveria ter lhe dito tanta coisa, tanta coisa que era importante pra mim, que era relevante pra você. E naquele momento, eu não disse nada. E nunca diria, mesmo estando na sua frente. Preferia me ausentar, me esvaziar inteira, preenchendo todo o espaço com o barulho que o meu silêncio fazia.  Nos meus olhos, se encontravam todas as portas para as inúmeras feridas da minha alma. Contudo, foi nesse momento que os fechei para que você não enxergasse o que em mim é doloroso. Guardava em mim um único desejo, uma vontade eterna de que eles nunca mais abrissem. Só assim, você não veria o que corrói. E não viu.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Devaneios, eu sei.

 Você está tão assustada. Dá pra ver nos seus olhos o temor, menina. O que fizeram contigo? Quem conseguiu te machucar tão fundo assim a ponto de não conseguir sentir mais nada além do receio? E esse vazio todo? Tiraram tudo que te fazia sorrir e vejo que só resta a dor.

Eu sei, a vida é difícil por demais. Muitas vezes, mesmo que você tente, as coisas não acontecem como deveriam. Como poderiam ser. Ou como você gostaria que acontecesse. Mas menina, o que está havendo contigo? Por que esses olhos negros tão cheios de abismo, fúria e sarcasmo? Me diz. Está tudo errado, eu sei.
A gente deveria sumir, fugir, o que acha? Talvez fugir seja o caminho que os fracos, como nós, conseguem encontrar para não assumir essa vulnerabilidade tão presente. E você está perdida menina. Eu também estou. E talvez, na nossa perdição, podemos juntos encontrar um caminho que seja só nosso, mesmo que tortuoso. Ou que seja obscuro, não importa. Não importa para onde vou se você estiver ao meu lado, segurando minha mão trêmula. E que nesse trajeto, nossas mãos tão cansadas, doloridas, cheias de espinhos possam enfim encontrar alívio para essa dor latente.

Porém, você sabe, eu tenho medo, tenho tanto medo! Sou covarde e prefiro evitar qualquer possibilidade de contado que, potencialmente, irá me machucar. É de um egoísmo tão grande que prefiro me trancar dentro do meu próprio mundo. Mundo esse que é completamente devastado. Não, é preciso entender. Por mais que eu tenha tais devaneios, eu não posso te tocar menina. E disso eu sei. Se te tocar, te firo. E como é doloroso essa ambivalência que a cada lapso de segundo me atormenta.

- Mas vem, vem que talvez, em um sonho nosso, agora tudo possa mudar.
- Eu sei menina, sei que o sol hoje pode ficar encoberto de nuvens negras.
- Só que por mais que possamos tentar nada disso vai valer à pena, sabemos.
- Mas vamos nos enganar mais uma vez, como se fosse a primeira vez.
- Mas hoje, te prometo menina, hoje eu te dou o céu.

terça-feira, 5 de março de 2013

Green Eyes.


Eu preciso de você.  Sem rodeios, sem voltas: eu preciso que entenda o quanto eu preciso de você.  Preciso tanto, como alguém faminto necessita do alimento para se sustentar em pé, quando falta a força para continuar. Preciso de você para me livrar dessa ânsia sedenta de encontrar repouso para minha cabeça tão cheia de fantasmas e medos; Preciso de você nos dias frios para aquecer meu coração já tão calejado de dores passadas e presentes; Preciso de você segurando minha mão enquanto eu fixo meu olhar em um ponto cego, tentando entender o grande mistério que é viver e amar. Preciso de você para me acalmar, quando eu, totalmente tola, fico sem saber como reagir diante do que sinto. Preciso de você enquanto a noite chega e os dias amanhecem sem cor quando eu não te tenho comigo e você está longe. E nesses dias incolores, te quero pintando tudo que ficou ao meu redor com o verde dos teus olhos. Preciso de você para me respeitar depois de tudo que aconteceu, quando eu já nem lembro como é ser protegida de tal forma, tampouco, como o amor deve ser. Você compreende isso?  Porque quando essa necessidade invade, chega a ser cruel não poder me curar em você. E principalmente, não poder curar você. Preciso de você para me guiar, em meio às incertezas, porque é você que segura minha mão e me leva para um lugar seguro. Um lugar que ficou esquecido por tanto tempo dentro de mim, e de repente, como quem visita para matar a saudade, acaba ficando. Esse lugar é só seu. Esse é um lugar só meu. Esse, afinal é um lugar só nosso.  Eu espero que entenda que preciso de você, porque preciso! Preciso de você enquanto estou insegura quanto ao resto que se faz, refaz e desfaz ao meu redor, transformando tudo que era real em nada; e que, nesse infinito ciclo, apesar dos percalços de todo trajeto ainda resta nós. 
E sempre restará.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mar negro.


Já era tarde. O céu estava negro, sem estrelas, com uma luz fosca da lua o invadindo e pela primeira vez, sem qualquer expressão. A areia se fazia sentir entre os dedos dos pés, machucando, pois era muito sacrifício se arrastar para qualquer lugar com toda aquela carga que levava.

"Eu poderia ter lhe dito tanta coisa."

Era esse o pensamento que atormentava. O que poderia ter dito. Escrito. Traduzido. Explicado. Qualquer coisa que tirasse a ânsia de não saber. Não saber mais como sentir sem enlouquecer. Não saber mais como evitar ser atingido pelas múltiplas formas de saudade. Talvez passasse. Ou talvez pela ausência dos verbos e pronomes, não seria possível, sequer, ter a chance, como qualquer pessoa normal, de lhe falar tudo que doía. Tudo que era preciso. E foi isso que aconteceu.

"E só de olhar pra ela, era como se cada milímetro do meu corpo e extensão da minha alma fossem atingidos por duas lanças."


Nos rosto havia apenas aquela expressão... Como se tudo estivesse desabando. E realmente estava. Não consegui falar. Não consegui, ao menos, pronunciar uma palavra qualquer, embora precisasse. Tentei tanto fazer soar uma frase comum, encher cada espaço da minha boca com som. Entretanto, não consegui. Só sentia aquilo... O que não pode ser definido e que, qualquer pretensão de fazê-lo, seria audácia demais. Eu queria dizer tanto! Queria poder falar como cortava fundo vê-la daquela forma. Como rasgava minha alma. Talvez pelos olhos, que antes com tanto brilho, agora estavam perdidos. Tão desnorteados e sem expressão alguma, como o céu negro daquela noite. Vê-la mostrava o descontentamento e infelicidade do mundo. E fariam qualquer um sentir o mesmo. 

"Não ouse fugir do infinito do que sente."

Queria poder dizer para parar. Porque aquilo tudo era demais para ela, que com ombros tão leves, padeceria logo com pesos tão grandes. E eu a via ser esmagada todos os dias, provocando em mim essa sensação de asfixia e creio que qualquer pessoa que tentasse se aproximar dela se sentiria da mesma forma: sem ar. Era como se uma força a arrastasse para trás, enquanto todo o resto do mundo ao menos tentava ir para frente. E ela, a cada dia, mergulhava em águas tão escuras que ficava mais e mais impossível para mim vê-la. Eu quis tanto esticar meus braços e puxá-la, tirá-la daquele mar enquanto a enxergava. Mas ela ia fundo demais. Se arriscava. E antes que eu percebesse, aquele mar se tornou ela. E ela se tornou ele. E agora eram um só. Impossível salvá-la. E eu tentei tanto... Me estiquei tanto... Me esforcei tanto... Para nada.

"Era como se o mundo fosse explodir em tudo que ela tocava... E destruía."


Não seria possível para mim imaginar o que ela sentia. Mas, não adiantava fugir. Fingir. Trair o que estava se partindo no meu rosto e estampado no meu ser. E eu via. No espelho eu via, tudo que ela sentia. Enxergava cada extensão dela naquele corpo que era meu. Que ela, sem pedir, se apossou, sem querer me largar mais, entrelaçando de tal forma que uma respirava a outra. E sem cessar, ela tomava cada vez mais espaço em mim. Se tornava eu. O que fui. O que sou. E provavelmente, o que um dia serei. Era o mar talvez. Aquelas águas me chamavam para nadar. Eram tão escuras. Até que me convenceram. E eu quis. Pela primeira vez, eu parei de tentar dizer qualquer palavra à ela. Parei de tentar pronunciar qualquer frase comum. E a escutei. Atendi seu chamado. E ela me queria naquele mar. Aquele, que me dava vontade de afogar também. E então, sem hesitar a acompanhei. Eu fui. Com toda dor que afligia, eu fui. Fechando os olhos lentamente, eu fui. Sem medo, eu fui. E foi eu. Foi ela. Fomos nós.

E sem mais pensar, mergulhamos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Espinho.

Antes de qualquer coisa, lembre-se bem: eu amei você.
E amei, amei muito, a cada dia.
Amei tanto que esqueci de me amar também, para amar só você. E ainda amo, você sabe.
Olha, eu sinceramente creio que essas fugas dentro da minha cabeça para momentos anteriores, momentos estes que éramos nós, possam cutucar uma ferida tão recente. E não nego, sangra. Sangra de pensar, sangra de lembrar. É espinho, que não sai e por mais que permaneça, não importa, não me importa. Hoje nada disso importa nem pra você, nem pra mim. Chegamos a tal ponto, que não se pode olhar, não se pode encostar, não se pode falar. Você só pensa e guarda. Guarda tantas mentiras. Pensa em tantas verdades. Por que é isso, não é? A raiva que fica, quando se é abandonado, quando o amor deixou de ser doce pra se desmanchar em sal na boca quando a lágrima toca os lábios. É doloroso ver que o que era pra ser eterno, se transformar em algo tão vulnerável e frágil, abandonado em vãs promessas que nunca se cumprirão. E talvez seja esse o pior, ver os planos construídos sobre o vento. Planos que nunca acontecerão. Lembranças que nunca existirão. Gostos que nunca experimentaremos. Lugares que nunca serão vistos.
Amor, que nunca, nunca será esquecido.
E espinho, realmente, um espinho que nunca será flor.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Leve.

Olha, não encare tudo desse jeito, tão a sério. Você está se precipitando um pouco, não acha? Felizmente (ou infelizmente) tudo muda o tempo inteiro e o que era verdade antes pode não ser mais agora. Se o que te sufoca nesse momento se apaga no grito é sinal de que o passado pode simplesmente se dissipar no futuro.
Veja bem, eu não faço o tipo sonhador, muito menos saio acreditando em desculpas para os erros que pratico, mas você, quantos anos tem? Tão nova e já tão solitária, tão perdida por aí, procurando em cada canto obscuro o que não pode ser visto na claridade. O céu vai nascer amanhã, brilhando tanto, como em todos esses dias, com a luz invadindo a janela do teu quarto e você vai fazer o que? Fechar as cortinas mais uma vez?
Aprendi desde cedo, tão amargamente, que tudo nessa vida vai embora. Desde momentos às pessoas. Mesmo quando você quer que coisas e pessoas boas permaneçam, elas simplesmente vão para longe... É inevitável. Então pra que sofrer tanto, se o que sangra agora amanhã será apenas mais uma ferida cicatrizada na pele e na alma? Claro, algumas demoram mais, algumas marcam de um jeito fundo que parece explodir o corpo, porém passa, sabe?!
Então levante-se, limpe agora a lágrima que ameaça brotar no canto dos olhos, abra bem a janela e sinta o vento bater em você e levar embora tudo que agora dói. Deixe partir, pare de se agarrar ao que não se pode pedir para ficar. Deixe ir, permita-se.
Deixe levar, assim tão leve, leve-se, leve-me.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Busca.

Ela estava cansada. Não um cansaço comum, normal das pessoas que se cansam por um dia de trabalho qualquer. Era maior, um cansaço que nasce das entranhas, que surge do vazio do peito e, ao mesmo tempo, inventa-se em um som sem ritmo que o coração faz, lhe invadindo sem pedir permissão de sentir.

Ela se doía, se concentrava em outras coisas, olhava outras histórias, mas aquilo que a aniquilara até então e a sufocara, continuava presente. Não ia embora, nunca iria. Ela desiste. Entrega-se gritando urgentemente e pedindo pelo corpo de outra pessoa. Precisa do afago e do carinho que ela não consegue se oferecer. Já tentou por si só tantas vezes curar suas feridas sem êxito. Cansou de buscar em si a solução para seus problemas e foi então buscá-lo em alguém. Não preciso dizer, foi seu pior erro, pois agora doía mais. Mas como ela saberia que na sua ânsia de buscar o que não encontrou em si, residia a angústia e a dor da queda? Logicamente, nessa busca por cuidado, ela se feriu. Endurecia cada dia mais com os tapas e empurrões que levava, das vezes que buscava o abraço e encontrava apenas braços sem vida, gelados. E esse alguém não poderia saber, nem nunca saberia, o quanto lhe machucava o vazio de estar sozinha a dois.

Ela se descontrolava, dizia para esse alguém que não queria desistir, insistia estupidamente por sentir algo tão grande e maior que ela mesma. Gritava muito, só que dessa vez, gritava implorando por um amor que não lhe pertencia. Não lhe escutaram. Fingiram entender, perdendo-a como areia que com o bater do vento se dissipa.

De tanto pedir, ficou exausta. De tanta exaustão, desmoronou.

Não conseguia mais vivenciar aquilo e falhou. Simplesmente falhou, como em tantas outras vezes. Era um pássaro, que cedo demais tentou voar e caiu bobo no chão.

domingo, 24 de abril de 2011

Éramos.

E não tem um dia que não me pergunte como chegamos a esse ponto.

Meu Deus, como podemos nos abandonar nesse tempo? Perder-nos diante da estrada a qual seguíamos nas pontas dos dedos para não ferir os pés? Desistir de sonhos, lembranças, situações? Tudo isso que nos era tão essencial, agora é empurrado para o lado, para fora, arrancado sem querer da alma já ferida. Isso me leva pra baixo, me faz ter medo, e quando chega à noite, e se o peito rasga em dor, é pelo seu nome que grito. É por você que peço, e você nunca vem. Por-que-não-vem-por-que-não-vem, por que não larga tudo e simplesmente vem?

Não precisa trazer nada, nem dizer nada. A sua presença já me basta, diante de toda loucura, insanidade e fúria que ronda a minha cabeça, deixando borrões em meus pensamentos. E como é doloroso, te ver, falar com você, e fingir ter uma indiferença que é inexistente, fazendo você acreditar que é passado na minha vida quando eu sei que é presente. E poderia ser futuro, não é?

Talvez se tivéssemos nos esforçado mais, ultrapassado ainda mais nossos orgulhos, nossas manias, e todas as ervas daninhas que teimavam em crescer diante dos nossos calcanhares, talvez poderíamos ter sido. Ou não. Ao final de tudo, e mesmo sem querer admitir o que me salta aos olhos machucando-os, vejo com uma clareza cortante que é preciso ter coragem pra abandonar causas perdidas e há muito desgastadas. Necessário ter valentia pra não se dobrar inteiro diante da desistência, do sabor amargo da lágrima de não ter dado certo. Era pra dar. Era pra ser. Era pra continuar. Era pra permanecer.

Era, era... E não foi.

sábado, 9 de abril de 2011

Sozinho.

Procuramos uma pureza impossível, algo nunca visto, algo diferente de tudo. Na imensa carência humana por afeto, busca-se em outras pessoas o que você não encontra em si. Fica-se tão preocupado em estar sozinho, em conviver com você mesmo por um longo período de tempo, que a possibilidade de não ter ninguém preenchendo o coração, perturba. Assustador estar abandonado, diante de seus defeitos, estampando nos olhos a ausência de algo bom, escorrendo pelo rosto toda a solidão e angustia de se olhar no espelho, e... Se ver. Simplesmente se ver, reflexo doloroso, não?!

Problema do ser humano é isso, ter medo de conviver entre suas inúmeras lacunas de defeitos e qualidades, percepções, sensibilidade. Medo de dizer, de escutar, agir, sair de toda a comodidade que agora lhe parece adequada; Vem aqui, me diz, de que tem tanto medo? De que foge tanto? Não, não, não.

Aprenda coração, pare de bater pelos outros e aprenda a bater por si. Tire essa capa escura que veste, e pegue aquela colorida ali no canto: o mundo pode ser lindo, apesar de dores, há momentos magníficos. E são raríssimos.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Fé.

Apesar de tudo, eu ainda tenho fé.
Fé na vida, nas coisas, nas pessoas. Fé em todo um mundo que mesmo não tendo fé em mim, insiste em me provar.
Fé que amanhã o sol vai acordar lindo e brilhando pela janela do meu quarto, invadindo tudo, aquecendo tudo que é frio.
Que tudo isso que hoje está nos assustando, irá ser motivo de risos e piadas sem graça, em um diálogo bobo e tão nosso, enquanto tomamos nosso vinho preferido...
Eu preciso acreditar que ao abrir os olhos algo melhor vai acontecer, eu tenho isso que se chama de Es-pe-ran-ça. Com E maiúsculo mesmo. Não aquela ilusão ou qualquer coisa utópica, que nos cega. Mas a certeza de que tudo que está hoje bagunçado irá arrumar, que é preciso estar por baixo na vida algumas vezes pra dar mais valor que quando se está em cima. Certeza que tudo vai ficar mais claro, mais limpo, mais leve, entende?
A gente demora a perceber que certos caminhos são simples, não tem complicação.
Não é preciso chorar agora, sofrer, morrer, esperar, quase impossível.
Eu te tenho, e você me tem. É simples, não?
Leve, claro.
Como nós.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Frio.

É preciso deixar pra lá, entendes? Tem certos momentos que a desistência é sinal de força, bravura o suficiente para saber que não se deve continuar em certos caminhos, é maturidade que permite ver que tudo tem um fim e um porquê. Preste bem atenção, menina: cuidado com os convites de amor, cuidado com os pedidos pra ficar, com os sinais de paixão, de ardor. Tenha cuidado menina, pra não se queimar no fogo de outros que existem por aí. Pessoas queimam, sabia? Incendeiam, ardem, violam. Começam pequenos, cresce em chamas altas e fortes, atingindo um calor insuportável! E depois, passa, simplesmente cessa.
E resta apenas aquelas pequenas brasas, que já não são suficientes e não aquecem mais.
E aí, resta esse frio todo que estás sentindo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Retroceda.

Eu não sei mais o que é necessário agora. Pra fazer mudar, voltar. Retroceder aquele instante, onde por uma súbita onda de imperfeição, tudo se foi. Eu gostaria de te dizer tanta, tanta coisa antes de ir. De irmos. Você não permitiu.
Eu te amava, você sabia. E te queria, protegia. Você sentia.
Tínhamos, e creio que ainda temos, aquela ligação dos loucos amantes, que se enfurecem, que se afugentam em lembranças, que vagamente, nos levam em outro lugar, com outras coisas, e outras pessoas...
Só que não sabemos que nesse drama todo de lembrar, tudo piora. Aperta, sufoca, e certamente, algumas coisas não são fáceis de controlar.
Queria eu, viver em torno de mim, sem saber se vou ou se fico, mas na vã esperança de que você não ia embora.
Porém, nos enganamos com tudo. E o que achávamos que era certo, depois de um tempo, passa a não ser. Eu não posso te pedir pra ficar, mesmo querendo, implorando. Voltei a rezar, e ó Deus, to fazendo tudo certinho dessa vez, pode me dar agora o que eu to pedindo? É rápido, não vai levar muito tempo, eu prometo. Amém.
Parece que nos acostumamos com isso, e diante de uma luta imensa que estaria apenas começando, desistimos. Não por não querer, sim, por covardia. Procuramos desculpas, palavras que nos façam ficar menos desiludidos de tudo, e nos consolamos com o ‘vai passar’, ‘quem sabe um dia’ e ‘poderemos ser’. Meu Deus, não era pra ser assim. O plano não era esse.
E agora, tornamo-nos isso, essa completa perdição, e o que me resta é esperar pelo que está completamente e insanamente, desesperado.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Devaneios.

Você está com tanto medo. Dá pra ver nos seus olhos, menina. O que fizeram contigo? Quem conseguiu te machucar tão fundo assim a ponto de não conseguir sentir mais nada? E esse vazio, menina? Tiraram tudo que te fazia sorrir.
Eu sei a vida é difícil por demais. Muitas vezes, mesmo que você tente, as coisas não acontecem como deveriam. Como poderiam ser. Ou como você gostaria que acontecesse. Mas menina, o que tá acontecendo contigo? Por que esses olhos? Me diz.
A gente deveria sumir, fugir. O que acha? Talvez fugir seja o caminho que os fracos, como nós, conseguem encontrar para não assumir essa vulnerabilidade tão presente. E você está perdida menina. Eu também.
Nossas mãos tão cansadas, doloridas, cheias de espinhos. Espinhos que cortam violentamente, que fazem sangrar. Não, eu não posso te tocar menina. Se eu te tocar, te firo.

- Mas vem, vem que talvez agora tudo possa mudar.
- Eu sei menina, sei que o sol hoje pode ficar encoberto de nuvens negras
- Só que por mais que possamos tentar nada disso vai valer à pena.
- Mas hoje, eu te prometo menina, hoje eu te dou o céu.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A gente continua.


Mesmo com tentativas tortas e tolas, a gente continua.
Sem saber bem como andar por uma estrada tão perigosa quanto essa, a gente continua.
E sei que tem muito a vir pelo caminho. E sem medo agora, tentamos.
Talvez o amanhã seja tão imprevisível quanto nossos sonhos loucos e irrefutáveis de eternidade. E isso que tanto nos assustava, hoje nos estimula, nos revigora, nos enlouquece, nos tiraniza. Sem pressa, sem pressa. Agora podemos dar passo no tamanho certo que nossas pernas podem alcançar, e nesse andar, descobrimos que quem precisa e tem que ficar, sempre fica. E esses brilhos, que eu e você enxergamos, que antes nos cegavam, hoje nos excitam. Brilhos leves, leves... E quase os tocamos.
Sabemos também que pessoas como eu e você, não conseguem estar separadas muito tempo. Mal a gente se vê, os olhos cruzam; sem sequer sentir, a gente se abraça. Um vive pegando na mão do outro, é instantâneo. A gente se gosta e se preza. É algo tão meu, tão teu. Tão nosso. E ninguém tem que saber, ninguém tem que entender.
Porque somos eu e você, agora. Sem mais. Nada Demais. Com tudo a mais.
Seguindo reto, sem virar esquinas. E prontos pra viver.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não.

Não.

Não me venha com metades se não pode se doar inteira, não me venha com telefonemas bobos e românticos agora se quando eu estiver na madrugada você não puder ligar, não venha com sentimentos que não são sinceros, não, não, não! Não venha querer entrar em uma vida se não for ficar. Não venha se oferecer para me ter, me ganhar, para esquecer-se de fazer o mesmo de volta por mim. Não é ficar pensando no amanhã amor, não é querer me precipitar, mas eu me cansei já de toda vez ser a menina que termina assim, desse jeito, boba, pateta, parada. E completamente inerte. Chega de construir muralhas, deter medos, persistir em erros que não são mais passíveis de entendimento agora. Por isso, só quero o essencial e verdadeiro, meu bem. Se tem pra me oferecer, o faça. Ou vem, e permanece, ou vai embora de vez. Chega de meio termo, de joguinhos, porque agora quem sai desse tipo jogo sou eu. Porque nele, eu sempre me perco inteira. E saio sempre perdendo.

Se quer continuar nisso, que continue. Só que...Sozinha.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Querer. Não poder.


O pior é que eu sei o que isso tudo significa. A partida é sempre dolorosa quando se quer e se necessita ficar. Eu simplesmente não consigo deixar que tudo se perca, que tudo se vá, vire nada, vire areia e que escorra por nossos dedos.
Não consigo imaginar-me cicatrizada, sem mais dores que carrego por e pra você. Tento te mostrar que as tenho, e o que elas significam em mim. Talvez você não consiga aguentar o peso das mesmas. Ou talvez, simplesmente, você não as sinta. O problema meu amor, é que além de carregar as dores, eu me disponho a carregar o resto todo. Eu me disponho a carregar você, em minhas costas já fraturadas e expostas nesse sol que nos cega. E eu ainda te gosto muito, e assumo. Sem mais medos, meus, teus, nossos.
Mais uma vez, ao final da tarde, você me vem na cabeça, e a vontade que tenho é saber se você ainda gosta de mim também, nem que seja um pouco. Perguntar baixinho se ainda poderíamos ser. Se o que nos resta são memórias de um passado que teimam em vir como presente inebriante, e que, com toda maldade, me iludem quanto ao futuro.
É querer te abraçar, mas não poder estender o aperto. É querer me aproximar, sem poder sentir o peito pulsar. É querer te olhar nos olhos e não poder permanecer, com medo de que você possa ver através deles, de mim, e ver o que eu preciso mesmo que você não consiga dar. O problema aqui é que nós fingimos sorrisos, quando a vontade não é essa. Pelo menos não a minha. E te imploro, e te peço, e fico. Mas você quer que eu vá embora? Não, não faz isso, me deixa ficar. Não quero, vai, eu não aguento mais. Mas e o que fomos? Não importa agora. E nessa nossa confusão de dores e amores, eu tenho que esnobar vícios sentimentais que me fazem sempre voltar a você. E você sabe, eu tenho vontade de dizer tanta, tanta coisa.

E o problema aqui é o constante querer. Mesmo sem poder.

sábado, 13 de novembro de 2010

vaipassar,vaipassar,vaipassar,vaipassar,vaipassar...

Mas passa.
Tem que passar. Mas quando, meu Deus?
É o caco, é o fim, é perder o respeito que tenho por você e por mim.
E por mais que eu tente, por mais que eu faça, diga, prove, por mais que me mate de overdose com o veronal, encha a cara com uma vodca qualquer, por mais que eu faça qualquer coisa, você não se importa.
Você mudou, mudamos. E nessa mudança, nos perdemos. Destinos que se trocaram, se dispersaram, e agora, resta isso, esse nada.
E esse nada pra você agora, é meu tudo. Consegue ver isso?
Consegue ver que tudo que eu te falo é o que eu sinto, e essa dor não tem explicação e nem solução. Mas tem que parar, não é? Tenho que parar por mim e por você, tenho que parar por nós. Porque só eu não tenho entendido o que é queimar um livro de histórias, que, pra mim, ainda está aberto. Só pra mim.

É parar de continuar a bater em uma porta que nunca vai abrir mais pra mim, ou por mim. E mais doloroso que seja isso meu amor, por maior que seja isso, é preciso abrir mão.
É preciso entender que amores intensos, e verdadeiros também se perdem. Fugazes, violentos, entorpecedores, mas se perdem. E por mais que você queira puxar a linha de volta que os unia, ele já voa longe. Longe demais pra se alcançar com as mãos.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Esperança.


Apesar de tudo, a gente ainda tem esperanças. Não que seja aquela esperança sufocante, de quem tem a angústia, impaciência ou qualquer tipo de sentimento comum aqueles que não são como nós. Aquele sentimento de nervosismo extremo, para que tudo aconteça no tempo que se quer, não nos pertence. A gente não permanece como os outros, a gente não consegue se entender, mas a gente se gosta e se preza muito. E a gente se basta. Em nossas incongruências de caminhos e retas, um pouco tortas quem sabe, encontramos o ângulo certo ao qual nos une. Aquele ponto único.

Temos a esperança cega daqueles que esperam por algo indeterminado, e que ao mesmo tempo dá ao coração a pulsação necessária pra continuar a bater. E essa espera por algo bom, sempre é tão reconfortante quando você sabe que aquilo vai acontecer; mas mesmo nessa escuridão que nos entorpece, continuamos, insistimos. E apesar de não conseguirmos enxergar o que está em nossa frente, e o que virá depois, temos aquela vontade exata, de fazer com que tudo fique bem. E a sensação que nos domina, a de que tudo irá florir nesse sol brilhante, que a música não irá parar no meio da dança, que os passos não irão chafurdar em meio ao lamaçal, e que tudo ficará muito, muito, muito bem. E você sabe, sabe sim, ficará. Tudo bem, tudo tão bem.

sábado, 6 de novembro de 2010

Diz que não dói.


Depois de tudo, eu quero que encoste sua mão em mim e sinta aqui.

Pousa seus dedos frios no meu peito e diz que sente algo bater, por favor. Porque eu, antigamente, tinha tanto sentimento... Tanto! E hoje simplesmente há esse vazio, essa falta que nada preenche e ninguém entende. E eu lhe digo, meu caro, agora é tão difícil estar só comigo... Porque antes, eu tinha a presença de alguém aqui dentro, me refugiava e me escondia nisso, não precisava me encontrar com meu verdadeiro eu. Acho que sempre evitei esse encontro. Aliás, acho não, passo a ter certeza agora.

Essa vã certeza dos desvairados e solitários que se perdem em seu próprio caminho.

Porém, agora na minha presença inevitável, me assusto, tenho medo, por não saber como fazer e o que fazer com essa única pessoa que aqui reside. Tenho pavor dela. Tenho pavor de mim. Consegue ver?

Vem aqui vai, bate no meu peito, porque eu preciso sentir essa dor da normalidade ao ser tocada na carne. Quero ter ainda essa pulsação viva que todos têm. Porque se doer em você, é sinal de que tudo já se transformou em ferro, aço, e que dentro de mim nada mais há. Vou ter que conviver com essa dureza do meu ser, do meu peito, da minha vida inteirinha. Essa dureza de mim. E essa dor, que vou provocar nos outros... O que é o pior de mim. Sempre foi. E vai continuar sendo.

Então te peço aqui: por favor, só não diga que doeu em você.

Mesmo que seja mentira. Mesmo que seja verdade.

Porque só isso me basta agora.

sábado, 30 de outubro de 2010

Recomeçar. Começar.


Tá na hora.

Não dava mais pra sustentar uma situação dessas. Tem momentos em que é preciso tirar a lama do sapato, limpar de novo, e começar uma nova caminhada, por um novo caminho. Se vai ser melhor ou pior, não é questão, pra que se preocupar agora? Deixa o tempo vir, deixa tudo acontecer. Aquela covardia de andar, aquele medo, aquela comodidade de ficar parada e esperar as coisas acontecerem não vai existir mais. Não em mim. É preciso se permitir, dar nova chance para começos e recomeços, parar de carregar a culpa e qualquer remorso pendente. Isso faz mal à alma, ao corpo!

É preciso se libertar sabe? É um processo interno, e não externo. É dentro, e não fora. É preciso, e digo mais, necessário. E nem sempre o necessário é fácil... Na maioria das vezes, é o mais difícil a se fazer. Porém, é preciso brilhar de novo, e guardar lembranças boas, todas essas, aquelas, e as infinitas que estão por vir.

De mais a mais, é semear novamente, regar para que cresça e florir inteira.

Se transformar num lírio de novo. Vivo, dessa vez. E que exale o perfume ao qual se tinha esquecido o cheiro...

É se precisar e se ter. Buscar e alcançar, mesmo que os caminhos sejam tortuosos manter essa luz linda do dia, e se abençoar na noite.

É estar completa, mesmo estando só.