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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Madrugada.


E agora, no calor da madrugada, eu sinto as mãos procurarem algo ao lado, sinto a busca incessante desse algo para que suprima todo esse vazio na cama. E é no calor da madrugada, que, em silêncio, choro baixinho, com medo dos gemidos e grunhidos de animal ferido, animal que teve a lança enfiada no peito. É no calor da madrugada que tento entender o que se passa na minha cabeça, que conto pro travesseiro de maneira sem sentindo e sufocante, engasgando nas palavras, tudo que tem por demais me ferido, tudo isso que nos tornamos, tudo que fomos um dia.

É nesse calor da madrugada que eu sinto o vento vir assombrar meus sonhos trazendo seu cheiro, sua voz como algo que está apagado e que vem ressurgir para lembrar que foi real. É nesse calor da madrugada que viro pó, cinza viva. Porém, não é no calor da madrugada que renasço como fênix, mas sim, me acostumo ao que me transformei, ao que sou, mesmo sentindo cada pedaço do meu corpo doer. E é nesse calor que me queimo, e desapareço, como velha memória apagada no ar. Ah, o fogo...

4 comentários:

  1. Vi o seu blog na comunidade de Caio Fernando Abreu.Resolvi visitar e gostei muito do blog.

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  2. que belo texto.
    Meus Parabéns.
    è quando estamos a sós com nós mesmo que nos encontramos com nossas lembranças mais obscuras, nossos medos, e nossos amores. e o travesseiro que sofra. rsrsrs
    Parabéns!

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  3. Pois é Gabi, o travesseiro sofre e MUITO!
    huaahuaau
    Obrigada, de verdade *-*

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