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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Medo.


_____________________________________Não queria de novo. Sabia o que acontecia depois do adeus. E sabia o que acontecia quando se tenta agarrar nas mãos, foge do alcance. Não queria de novo. Não por não sentir mais nada, mas porque era uma dor conhecida. Tinha se livrado dela há muito tempo, não queria de novo. Preferia o adeus – adeus distante, daqueles que só fica lembranças -. Iam se ver na rua, trocariam um oi, e um viraria a esquerda, outro a direita; seguiria pro trabalho, com aquele velho olhar de quem tem uma rotina pra cumprir, chegaria em casa morto, enche a cara na vodka barata e fuma um Marlboro qualquer. Não queria lembrar daquele adeus, e nem de tantas tentativas falhas, que frustraram os dois aquele ponto. Ponto esse de um adeus em lágrimas, uma história mal acabada, que faria, ao menos possivelmente, os dois solitários pra sempre. E de fato, foram. Aquele adeus doeu pra sempre. Queria apenas sentar na velha poltrona, acender mais um cigarro. Outro. Pensar? Não, não deveria pensar. Pensar a lembra. E isso, não dá pra controlar... Não queria de novo. Pra depois acontecer o mesmo, achar-se nos braços de alguém que te faria esquecer por momentos, pra depois vir a crise maior. Uma abstinência que doía nos ossos, na pele, no peito, na alma. Não queria outra vez. Não queria despedaçar-se inteiro e depois reconstruir sonhos. Demoraria, e ele não tinha tempo. Doía, feria demais; e ele não queria de novo. Não outra vez.

3 comentários:

  1. Deixar o tempo ruir... quebrar pedaços de uma ausência ao meio. E recomeçar.

    Um beijo linda flor

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  2. Nossa que lindo.....
    Amei muito o que escreveu, porque é exatamente isso que acontece.
    "Não queria de novo. Pra depois acontecer o mesmo, achar nos braços de uma alguém que te faria esquecer em momentos, pra depois vir há crise maior."

    Sempre tenho essas "Ressacas Morais"

    Bjus linda

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  3. Histórias mal acabadas... odeio-as!

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